
Autarca de Arraiolos alerta para a necessidade de certificação dos tapetes
Certificar o do tapete de Arraiolos, produto histórico e secular alentejano, é uma necessidade urgente, há pelo menos oito anos. O presidente da Câmara Municipal de Arraiolos, Jerónimo Loios, fala da polémica que parece não ter fim à vista. A certificação é uma necessidade, assim como o registo nacional e internacional. Em causa está a salvaguarda face às falsas indicaçõesde origem.
Ana Clara quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010
Jerónimo Loios, autarca da vila alentejana de Arraiolos afirma em declarações ao Café Portugal que a certificação dos históricos tapetes é «uma necessidade a que as entidades competentes deviam dar seguimento dentro daquilo que foi o espírito que presidiu à aprovação, por unanimidade, na Assembleia da República (AR) da Lei 7/2002 de 31 de Janeiro».
Esta Lei da AR criou o Centro para a Promoção e Valorização do Tapete de Arraiolos, o qual prevê a certificação dentro de parâmetros definidos na sua produção, susceptível de denominação de origem ou indicação geográfica, atendendo aos usos, história e cultura locais, bem como aos interesses da economia local, regional e nacional.
A Câmara Municipal de Arraiolos, salienta o autarca, «tem insistido junto do Governo para dar cumprimento à Lei 7/2002 e instituir o Centro para a Promoção e Valorização do Tapete de Arraiolos». E acrescenta: «a Comissão Instaladora do Centro prevista na Lei 7/2002, em Novembro de 2003 enviou ao Sr. Secretário de Estado do Trabalho a versão final do Projecto de Estatutos. A Câmara Municipal fez, ao longo destes anos, vários pedidos de informação, solicitou mesmo a realização de uma reunião ao Sr. Primeiro-Ministro, mas não obtivemos resposta. É evidente que a não aprovação dos estatutos do Centro para a Promoção e Valorização do Tapete de Arraiolos e a não concretização das medidas previstas na Lei 7/2002 pelo Governo, são a razão do atraso».
Sobre a falsificação dos tapetes, Jerónimo Loios realça que a questão da importação, com várias origens, de Arraiolos, «são um modo de concorrência desleal». «Sempre procuramos defender, conjuntamente com os produtores e com as tapeteiras a criação de mecanismos de protecção e combate à entrada, generalizada no País, de tapetes com nome de Arraiolos e provenientes de outros países, cujo caso mais conhecido é o da China», refere.
Por essa razão, frisa que «seria muito importante proceder ao registo nacional e internacional do Tapete de Arraiolos e salvaguarda-lo de falsas indicações de origem, considerando que se trata duma actividade artesanal das mais conhecidas em todo o mundo, com origem em Arraiolos num período, eventualmente, anterior ao século XV». O edil diz que a Câmara procura com os meios que tem ao seu dispor promover o Tapete de Arraiolos e dar estímulo à produção local, nomeadamente, através de iniciativas como «O Tapete está na Rua» ou a «Feira do Tapete de Arraiolos». Noutro plano, o município continua a desenvolver o projecto do Centro Interpretativo do Tapete de Arraiolos, como local de memória viva, onde se valoriza a vertente histórica e cultural ligada ao modo de produção do «Tapete de Arraiolos».
«Estas acções são um contributo determinante para que a tradição se mantenha viva, sendo que o sector produtivo, necessita muito da certificação, porque o Tapete de Arraiolos é importante para a vida económica do concelho, sobretudo na área do turismo, tal como a gastronomia ou património histórico e cultural», sustenta.
Sobre a crise que abala o sector, o autarca lembra que em Novembro de 1997, numa reunião realizada na autarquia de Arraiolos estiveram 22 empresas que enviaram ao Ministério da Economia uma deliberação sobre a defesa e valorização do Tapete de Arraiolos e que em 2009, na iniciativa «O Tapete Está na Rua» participaram apenas onze empresas. «O desaparecimento de 50% de empresas neste período diz tudo quanto ao impacto da crise e da não concretização de medidas para defesa do tapete de Arraiolos», constata.
Com o desaparecimento de empresas e as dificuldades naquelas que tem resistido, a realidade, nua e crua, é que centenas de tapeteiras perderam o emprego. E, conclui, dizendo que «os direitos das tapeteiras só estarão garantidos com uma valorização e certificação do Tapete de Arraiolos». «Não podemos esquecer que foi através de gerações e gerações de tapeteiras que este artesanato genuíno chegou até aos nossos dias», finaliza Jerónimo Loios.
In Café Portugal
Certificar o do tapete de Arraiolos, produto histórico e secular alentejano, é uma necessidade urgente, há pelo menos oito anos. O presidente da Câmara Municipal de Arraiolos, Jerónimo Loios, fala da polémica que parece não ter fim à vista. A certificação é uma necessidade, assim como o registo nacional e internacional. Em causa está a salvaguarda face às falsas indicaçõesde origem.
Ana Clara quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010
Jerónimo Loios, autarca da vila alentejana de Arraiolos afirma em declarações ao Café Portugal que a certificação dos históricos tapetes é «uma necessidade a que as entidades competentes deviam dar seguimento dentro daquilo que foi o espírito que presidiu à aprovação, por unanimidade, na Assembleia da República (AR) da Lei 7/2002 de 31 de Janeiro».
Esta Lei da AR criou o Centro para a Promoção e Valorização do Tapete de Arraiolos, o qual prevê a certificação dentro de parâmetros definidos na sua produção, susceptível de denominação de origem ou indicação geográfica, atendendo aos usos, história e cultura locais, bem como aos interesses da economia local, regional e nacional.
A Câmara Municipal de Arraiolos, salienta o autarca, «tem insistido junto do Governo para dar cumprimento à Lei 7/2002 e instituir o Centro para a Promoção e Valorização do Tapete de Arraiolos». E acrescenta: «a Comissão Instaladora do Centro prevista na Lei 7/2002, em Novembro de 2003 enviou ao Sr. Secretário de Estado do Trabalho a versão final do Projecto de Estatutos. A Câmara Municipal fez, ao longo destes anos, vários pedidos de informação, solicitou mesmo a realização de uma reunião ao Sr. Primeiro-Ministro, mas não obtivemos resposta. É evidente que a não aprovação dos estatutos do Centro para a Promoção e Valorização do Tapete de Arraiolos e a não concretização das medidas previstas na Lei 7/2002 pelo Governo, são a razão do atraso».
Sobre a falsificação dos tapetes, Jerónimo Loios realça que a questão da importação, com várias origens, de Arraiolos, «são um modo de concorrência desleal». «Sempre procuramos defender, conjuntamente com os produtores e com as tapeteiras a criação de mecanismos de protecção e combate à entrada, generalizada no País, de tapetes com nome de Arraiolos e provenientes de outros países, cujo caso mais conhecido é o da China», refere.
Por essa razão, frisa que «seria muito importante proceder ao registo nacional e internacional do Tapete de Arraiolos e salvaguarda-lo de falsas indicações de origem, considerando que se trata duma actividade artesanal das mais conhecidas em todo o mundo, com origem em Arraiolos num período, eventualmente, anterior ao século XV». O edil diz que a Câmara procura com os meios que tem ao seu dispor promover o Tapete de Arraiolos e dar estímulo à produção local, nomeadamente, através de iniciativas como «O Tapete está na Rua» ou a «Feira do Tapete de Arraiolos». Noutro plano, o município continua a desenvolver o projecto do Centro Interpretativo do Tapete de Arraiolos, como local de memória viva, onde se valoriza a vertente histórica e cultural ligada ao modo de produção do «Tapete de Arraiolos».
«Estas acções são um contributo determinante para que a tradição se mantenha viva, sendo que o sector produtivo, necessita muito da certificação, porque o Tapete de Arraiolos é importante para a vida económica do concelho, sobretudo na área do turismo, tal como a gastronomia ou património histórico e cultural», sustenta.
Sobre a crise que abala o sector, o autarca lembra que em Novembro de 1997, numa reunião realizada na autarquia de Arraiolos estiveram 22 empresas que enviaram ao Ministério da Economia uma deliberação sobre a defesa e valorização do Tapete de Arraiolos e que em 2009, na iniciativa «O Tapete Está na Rua» participaram apenas onze empresas. «O desaparecimento de 50% de empresas neste período diz tudo quanto ao impacto da crise e da não concretização de medidas para defesa do tapete de Arraiolos», constata.
Com o desaparecimento de empresas e as dificuldades naquelas que tem resistido, a realidade, nua e crua, é que centenas de tapeteiras perderam o emprego. E, conclui, dizendo que «os direitos das tapeteiras só estarão garantidos com uma valorização e certificação do Tapete de Arraiolos». «Não podemos esquecer que foi através de gerações e gerações de tapeteiras que este artesanato genuíno chegou até aos nossos dias», finaliza Jerónimo Loios.
In Café Portugal
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